terça-feira, 7 de junho de 2011

Reciclagem: sempre vale a pena?

A reciclagem e a remanufatura de produtos – em vez de fazer produtos novos a partir do zero – deve permitir uma grande economia de energia, certo?

Não exatamente, garante um novo estudo realizado por pesquisadores do MIT, nos Estados Unidos.

Amplamente difundidas como ambientalmente corretas, as práticas de reciclagem e remanufatura são usadas desde as latinhas de alumínio e os pneus recauchutados, até os cartuchos de impressora jato de tinta e os motores remanufaturados.

Mas a equipe do Dr. Timothy Gutowski demonstrou que o senso comum não se confirma quando os dados são cuidadosamente verificados.

Custo energético

Em alguns casos, a sabedoria convencional está realmente correta. Mas, em 25 estudos de caso, cobrindo produtos em oito categorias, há um número igual de situações nas quais a remanufatura de fato consome mais energia.

E para a maioria dos casos, a economia de energia é insignificante ou o equilíbrio de energia esteve muito próximo entre o produto novo e o produto remanufaturado.

Mas por que os novos resultados são tão diferentes do que se tem assumido por tanto tempo?

A razão está em que a equipe do MIT usou em seus cálculos a energia total utilizada durante a vida útil de um produto – a chamada análise do ciclo de vida – e não apenas a energia utilizada no processo de fabricação em si.

Em praticamente todos os casos, custa menos dinheiro e menos energia produzir um produto a partir de um “núcleo” reciclado – a parte reutilizável do produto – do que começar do zero a partir da matéria-prima.

Mas o problema é que muitos desses produtos remanufaturados são menos eficientes em termos energéticos, ou versões mais recentes são mais eficientes em termos energéticos do que a geração à qual eles pertenceram, de modo que a energia extra utilizada ao longo da vida útil do produto remanufaturado anula a economia obtida na fase de fabricação.

O mundo é um lugar complicado

“O que parece à primeira vista ser um problema simples, mostra que o mundo é um lugar muito mais complicado do que as pessoas pensam,” afirma Gutowski, que já havia coordenado um estudo que demonstra que as indústrias modernas são extravagantes no uso de energia.

Para ele, na maioria dos casos, “a nova tecnologia revela-se tão mais eficiente do ponto de vista energético, que você deve se livrar do velho aparelho” em vez de consertá-lo ou comprar uma versão remanufaturada.

Por exemplo, a eficiência de muitos aparelhos novos – como geladeiras e máquinas de lavar – é tão melhor em relação aos modelos mais antigos que, em termos de consumo de energia, um novo modelo é quase sempre a melhor escolha.

Infelizmente, não é assim que a maioria das pessoas e empresas faz suas escolhas. “A decisão é sempre em relação ao custo, não à energia”, diz Gutowski.

Por exemplo, um motor elétrico remanufaturado, no qual o núcleo de metal é reutilizado, mas enrolado com novos fios, é tipicamente entre 0,5 e 1 por cento menos eficiente do que um motor novo. “Continua havendo uma vantagem de custo” para os motores remanufaturados, diz o pesquisador, “mas, do ponto de vista energético, é o oposto.”

Visão mais ampla

Gutowski enfatiza que esta pesquisa não sugere, necessariamente, um curso específico de ação.

Para um determinado produto, pode haver outras razões para que se prefira a versão remanufaturada, mesmo que esta produza um gasto líquido de energia.

Por exemplo, a remanufatura pode reduzir o impacto sobre os aterros sanitários, reduzir o uso e o descarte de alguns materiais tóxicos, ou gerar empregos necessários em uma determinada área.

“Nós não estamos dizendo que você não deve fazer [a remanufatura]“, diz ele, “[estamos] apenas sugerindo que vale a pena conhecer os efeitos da decisão, na sua totalidade.”


Fonte: Site Inovação e Tecnologia

sábado, 7 de maio de 2011

Tecnologia brasileira dispensa hidrantes para combater incêndios

 

Durante um dos testes realizados no Rio, o protótipo do equipamento, manipulado por apenas um técnico, eliminou, em 1,4 minuto, chamas que atingiam 12 metros de altura.

Combater incêndios em locais de difícil acesso que não contam com redes de hidrantes

Esse é o diferencial da tecnologia desenvolvida pelo Grupo de Análise de Risco Tecnológico e Ambiental (Garta) da UFRJ/Coppe, que utiliza o dióxido de carbono (CO2) no lugar de água para apagar o fogo.

IDEAL PARA FAVELAS, MUSEUS E BIBLIOTECAS

■ O equipamento é ideal para comunidades situadas em morros ou em periferias, que não contam com hidrantes e redes adequadas de distribuição de água.

■ Também é apropriado para ambientes que abrigam obras de arte e patrimônio histórico, como museus, igrejas e bibliotecas, e até mesmo centros de processamento de dados.

FLEXIBILIDADE DO EQUIPAMENTO

■ Segundo Moacyr Duarte, coordenador do Garta, o equipamento apresenta algumas vantagens em relação aos sistemas tradicionais. Além de combater o fogo sem danificar os materiais, ele pode ser manipulado de forma ágil, segura e eficiente.

■ "Também pode prevenir incêndios e explosões em galerias subterrâneas, ao ser utilizado para deslocar vapores de substâncias inflamáveis que possam contaminar as galerias subterrâneas, principalmente as de passagem de energia elétrica, comuns nos grandes centros urbanos", explica Moacyr.

EFICIÊNCIA

■ O equipamento, denominado Sistema de Descarga Baseada em Gás Liquefeito, pode ser móvel ou fixo. Segundo Moacyr, é mais barato, por exemplo, implantar o sistema em regiões de periferia do que expandir a rede de hidrantes, que requer grandes tubulações para dar vazão à quantidade de água necessária para se combater um incêndio, na faixa de 2,8 mil litros por minuto.

■ "Além disso, o maior carro-pipa utilizado pelo corpo de bombeiros tem capacidade de apenas 30 mil litros, o que não é suficiente para uma operação de combate a incêndio que ultrapasse dez minutos, operando com vazão máxima", afirma.

■ Tal carência pode ser suprida pelo equipamento desenvolvido na UFRJ/Coppe, que tem capacidade de armazenar entre 8 e 20 toneladas de gás liquefeito, chegando a ter vazões equivalentes a 1,1 mil litros de água por minuto.

■ "Apesar de a vazão equivalente ser menor, o nosso sistema é mais eficiente porque o gás, ao neutralizar o oxigênio, elimina as chamas de forma mais rápida e precisa do que a água", garante Moacyr.

TESTES EM CAMPO

Durante um dos testes realizados no Rio, o protótipo do equipamento, manipulado por apenas um técnico, eliminou, em 1,4 minutos, chamas que atingiam 12 metros de altura. O coordenador do Garta diz que, convencionalmente, para apagar um incêndio de mesma proporção, seriam necessárias seis pessoas operando duas mangueiras de 2,5 polegadas.

O equipamento também pode combater incêndio em eletrodomésticos, a exemplo dos extintores comuns, à base de gás comprimido. Outra vantagem é que, caso haja uma pessoa no local, ela poderá ser retirada após a remoção da fumaça e do gás superaquecido, sem risco de sofrer asfixia.

O conjunto do equipamento como um todo possui uma célula de operação autônoma montada em um contêiner.

A célula pode ser à base de sistemas fixos para uso nas indústrias ou adaptada sobre caminhões para múltiplas utilizações.

O sistema foi projetado com diferentes dimensões, ou seja, mais de um formato para atender a necessidades de demandas variadas.

Uma célula do equipamento pode dar suporte a vários disparadores manuais, que têm tamanho similar ao de um extintor de incêndio, até o denominado canhão pode ser montado em caminhões ou robôs, para atender às necessidades de deslocamentos.

Uma célula do equipamento pode dar suporte a vários disparadores manuais, que têm tamanho similar ao de um extintor de incêndio.

O gás, no estado liquefeito, fica armazenado no tanque do equipamento e, após passar pelo processo de descompressão maciça, é lançado por meio de jatos no ambiente, por meio de três bicos reguláveis.

Os jatos formam uma espécie de neve carbônica, similar à fumaça de gelo seco, e o gás proporciona, simultaneamente, a redução da concentração de oxigênio e o resfriamento do ambiente.

De acordo com o pesquisador da UFRJ/Coppe, a redução do oxigênio afasta a possibilidade de fogo e o resfriamento da área, que pode atingir uma temperatura de até 11 graus negativos. "Com isso, eliminamos os focos que poderiam reiniciar o incêndio", afirma Moacyr.

Os disparos são controlados para que a concentração de CO2 aumente segundo uma estratégia definida previamente. Desse modo, é possível utilizar apenas o efeito mecânico do jato, para deslocar a fumaça e os gases aquecidos.

Esse procedimento permitirá que os bombeiros realizem o resgate de vítimas sem risco de asfixia, beneficiando-se da redução de temperatura e de uma melhor visibilidade.

Em ambientes abertos, os disparos são feitos como uma cortina fluidodinâmica, formando uma "gaiola de gás". Essa configuração é adequada para praças de bombas de transferência e parques de carregamento de caminhões com substâncias inflamáveis entre outras instalações características da indústria do petróleo.

SISTEMA SERÁ TESTADO EM NAVIOS DE GUERRA

Em breve, o equipamento utilizado em base fixa poderá ser testado em três tipos de navios de guerra da Marinha: fragatas, corvetas e porta-aviões. Essas embarcações consistem em ambientes de risco, pois contêm substâncias inflamáveis e explosivas.

Além disso, os navios, corvetas e fragatas também possuem hangares com estoque de combustível para abastecer o helicóptero a bordo.

"O sistema de descarga que desenvolvemos na UFRJ/Coppe poderá aumentar a segurança no abastecimento das aeronaves nos navios porta-aviões, além de possibilitar o aumento do número de pontos de equipamentos de combate a incêndios a bordo. Considerando que são navios de combate, em casos extremos, caso haja um incêndio em compartimentos bem próximos aos locais de estoques de munição e de material inflamável, nosso equipamento resfria os depósitos vizinhos, de forma a evitar as consequentes explosões e aumentar a segurança da equipe durante a operação de combate a incêndios a bordo", garante o pesquisador da UFRJ/Coppe.


Fonte: Planeta Coppe